Falta de segurança mobiliza estudantes da Rural

Alunos do curso de Geografia criam projeto para mapear a violência dentro do campus da UFRRJ

Sistema Criminal Rural usa o Google Maps como suporte para mapear o campus de Seropédica.

Campus mal iluminado, falta de capinagem, policiamento precário e uma rotina de crimes parece perseguir os estudantes. Ser aluno da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) não é nada fácil. Os frequentadores do espaço, que tem mais de 131 mil metros quadrados e longos caminhos entre seus prédios, convivem com o perigo todos os dias, principalmente, quando anoitece. Muitos casos caem no esquecimento e, diante desse panorama, o discente Vagner Costa, do sétimo período do curso de Engenharia de Agrimensura, em parceria com seu professor Wagner Dias, resolveu criar um sistema online que pudesse ajudar os estudantes a se proteger dentro da Universidade: o Sistema Criminal Rural.

O projeto se iniciou há dois anos, após a constatação de diversos crimes entre alunos dentro do campus. Vagner e seu orientador decidiram desenvolver um site que auxiliasse os frequentadores da Universidade nesse cenário e encontraram um aplicativo de denúncias virtuais na universidade de Viçosa (MG) que poderia ser usado como base. O projeto consiste em mapear um espaço e possibilitar que usuários denunciem casos de violência dentro de uma plataforma, que pode ser um aplicativo mobile ou um website.

(por Rodrigo Cabelli): Vagner Costa criou sistema online para ajudar estudantes a se proteger dentro da Universidade Rural.

Os idealizadores desse projeto na Rural já finalizaram a criação de um site, que mais tarde deve ser portado para celulares e tablets em forma de aplicativo. O Sistema Criminal Rural vai usar a plataforma do Google Maps como suporte para mapear o campus e possibilitar que os usuários indiquem os locais de incidência criminal.

O sistema ainda conta com uma filtragem de denúncias para evitar a veiculação de falsas informações. Os usuários que mais colaborarem com o aplicativo vão ganhando uma reputação maior na plataforma e podem, inclusive, denunciar as pessoas que realizam acusações falsas. Uma proposta muito interessante, que também foi apresentada pelos criadores, é a possibilidade de disponibilizar esse sistema para a própria Guarda Universitária.

Exemplo de como fazer uma denúncia no aplicativo.

O projeto só não foi lançado ainda por adaptações do servidor que ele irá ocupar na rede da Universidade Rural. A previsão é de que ele esteja disponível no fim do primeiro semestre deste ano. Enquanto o lançamento não ocorre, o melhor método para se denunciar casos de violência na Rural, pela internet, continua sendo por meio das redes sociais.

A página do Facebook “Minha Rural”, um canal de comunicação para os alunos da Universidade, por exemplo, criou uma campanha intitulada “Meu Professor Secreto”. Nela, o estudante, anonimamente, relata abusos, físicos ou morais, sofridos dentro da sala de aula pelos professores do seu curso. Todos os relatos são transformados em posts em um álbum específico e serve para mostrar o que não é divulgado pelas vias oficiais e, consequentemente, seu quantitativo. O intento da campanha é expor e chamar a atenção para a prática abusiva de determinados docentes. Para expor um caso, acesse o site da campanha.

Diferentemente do bullying, entendido como um tipo de intimidação entre iguais, no assédio moral há uma relação hierárquica. Trata-se de uma violência não, necessariamente, física, sobretudo psicológica, e que pode causar transtornos futuros nos alunos, como isolamento, insegurança e, até mesmo, depressão.

Nos últimos dias, o medo, sempre constante na UFRRJ, voltou a se instaurar na comunidade acadêmica após uma nova onda de assaltos, estupros e suspeita de sequestros. Assim como no ano passado, com o movimento “Me avisa quando chegar”, criado por alunas a fim de viabilizar a luta das mulheres, que mobilizou milhares de estudantes e ganhou forte repercussão no Brasil inteiro, em protesto realizado na última segunda-feira, 15 de maio, centenas de ruralinos protestaram em Seropédica contra a falta de segurança no campus. O ato foi coberto por diversos veículos comunicacionais e, diante da pressão dos manifestantes, o atual Reitor da Rural, Ricardo Berbara, afirmou que medidas emergenciais serão tomadas e prometeu ação imediata no combate à violência com as mulheres dentro do campus.

Enquanto novas atitudes não são tomadas, cada vez mais, elementos da cibercultura tem ajudado a combater a criminalidade, principalmente, por meio de denúncias ou alertas nas redes sociais, que servem como aviso em grupos. Inclusive, grandes universidades do país, como UFRJ, USP, UFES e UFAM, também já criaram aplicativos para mapear a violência dentro dos seus respectivos campi e se encontram funcionando normalmente. Resta esperar que, em breve, a UFRRJ consiga vencer a burocracia e lançar o seu. Diante desse cenário, é importante frisar que os alunos devem sempre andar acompanhados e denunciar todo e qualquer caso de violência, independentemente, de quem seja o agressor.

Vozes do medo

Membros da comunidade acadêmica se preocupam com a segurança dentro da Universidade Rural, portanto, relatam e opinam sobre o cenário de violência e criminalidade atual e a falta de infraestrutura da Instituição. Por confidencialidade, o anonimato dos entrevistados foi mantido.

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